sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Receita de vida

Esboce-se
De preferência, quando sua mãe engravidar de você, que esse ato seja programado. No mundo em que vivemos hoje, não é mais possível nascer-se por acaso, como antigamente, membros de barrigadas comumente de mais de dez filhos. Alerte-a sobre a necessidade dos pré-natais, mensalmente. Não a deixe fumar nem beber, que não se exponha à ansiedade ou à depressão, que esse período lhe seja harmônico e de feliz expectativa. E que converse com você a partir do 5º, 6º mês de gravidez; que lhe conte historinhas suaves e sussurre canções de ninar e despertar. Que ela seja suavizada por natureza, ou assim se faça. De preferência sempre, mas ao menos enquanto você ainda estiver lá dentro. Você já possui ondas cerebrais, elas são sua força, emita-as; envie bons pensamentos, no caso, ondas positivas traduzidas em serenidade, para sua mãe; troque amabilidades e ela o corresponderá com carinho e tranqüilidade. Exija que ela alimente-se bem, mas que não ganhe mais que um quilo de peso por mês. E nasça com nove meses de gestação, com três quilos e meio de peso corporal e cinqüenta centímetros, se possível de parto via vaginal e nunca esqueça de chorar logo, oxigenando bem seu cérebro e o restante do corpo.
Durma bastante e a partir daí chore o menos possível; e mame no peito, no mínimo até os seus seis meses de idade. Nesse meio tempo, exija todos os cuidados maternais que lhe sejam devidos, não deixe que lhe descuidem, bem como faça valer seus direitos de um recém nascido que carece de cuidados técnicos e profissionais de acordo com o adiantamento de seu meio.
Tenha curiosidade! Toque, prove, olhe, cheire e ouça tudo que está ao seu alcance, isso aguçará seus sentidos, formará memórias que jamais serão apagadas de seu inconsciente e que servirão de baliza para o resto de sua vida. Mais tarde, mantenha a curiosidade não só pela coisas que estão ao seu alcance, mas também sobre as coisas que você pode buscar. Engatinhe, levante-se e ande! Mexa em tudo que for possível, mas aprenda onde e quando poderá faze-lo e o que deverá evitar; e comece a ter cuidados, aprendidos do pode-não-pode paterno e materno. Alimente-se bem e cresça!
Se tudo para trás foi sadio, que em seu ambiente existam figuras de pai e mãe, em formato de família bem constituída, que lhe mostrem segurança, autoridade com ternura e carinho - nem mais nem menos. Bem como, tenha irmãos, seus consangüíneos ou vicinais, também saudáveis, que lhe repartam o bolo das atenções e dádivas emocionais e afetivas.
Tenha um bom Q.I.; alfabetize-se lá pelos cinco anos; desde sempre, sociabilize-se e aprenda a repartir-se, bem como a repartir o que a vida lhe apresentar, gratuitamente. Sinta seus mestres e superiores, em quaisquer níveis, como representantes de seus pais interiores, beba-lhes do saber, da experiência e obedeça-lhes o mais que puder. Depois, necessariamente, forme e expresse sua opinião. Sem esquecer de iniciar suas pequenas conquistas – fundamental! - afetivas e materiais. E a base de sua personalidade estará formada lá pelos seus sete anos de vida.
E continue a crescer, física e afetivamente! Sempre orientado por uma agenda de regras das coisas da vida, a esse tempo, já aprendidas como certas e erradas. Transgrida algumas delas, ocasionalmente, como uma verdadeira arte em dois sentidos, de preferência as de menor risco, apenas para provar o sabor do bem e do mal, mas reconduza-se na trilha correta. Filosoficamente, é necessário que assim se faça, por uma questão de parâmetros.

Desenhe-se

Diferente da infância, onde tudo é novo e tudo é aprendido como primeira experiência, como num beabá simbólico da vida, mas já com base moral e ética do que pode e não pode ser feito, conhecimentos esses que se depositam em estruturas cerebrais onde criamos o nosso juízo crítico básico, na adolescência, por força biológica dos hormônios próprios de cada gênero, crescem os pelos, nascem as mamas, aumenta o pênis, vem a menarca e as menstruações seqüentes. Seu hipotálamo o induz a empreitadas sexuais que quase lhe fogem ao controle, pressões poderosas passam a misturar-se com o aprendizado da idade. É tudo muito poderosamente biológico, mas não esqueça que existem leis sociais que regem tais momentos, tais oportunidades e tais apelos. Por lei natural desta fase da vida, a contestação é a regra, o desafio é corrente, os experimentos são muitos, os desconfortos são usuais e o risco é maior, bem como é maior a necessidade de atenção na sua condução pessoal.
Essa é uma fase da vida em que tudo é um turbilhão; mesmo assim, é preciso que se cresça sempre para melhor e para o alto, com e sem sobressaltos, como quem se salva de uma correnteza muito forte, muitas vezes uma braçada para trás e duas para frente, vá lá que seja, mas cresça em meio a tudo isso; e sobreviva!.
Escolha sua profissão, pois a época é a mais conveniente e natural. Mas, não esqueça uma regra básica: nunca a escolha pelo quanto você vai ganhar, materialmente. Esse é um passo quase sempre errado e as chances de frustração serão grandes. Busque uma profissão que o faça feliz; feliz você trabalhará melhor, trabalhando melhor você fará tudo mais bem feito, fazendo tudo mais bem feito você terá mais clientela, com maior clientela você, finalmente e de forma sólida, será melhor sucedido, materialmente. Essa é a regra! É infalível.

Não esqueça que em meio a tantas buscas e encontros, em meio a algumas frustrações inerentes a essa idade, você se transformará em uma isca fácil aos apelos de prazeres imediatos. Principalmente, àqueles que sugerem que a felicidade é uma conquista obrigatória, sem sacrifícios e que pode ser alcançada pelo atalho. Pois, cuidado com os atalhos ao bem estar físico e mental, desde os lícitos aos menos ilícitos, chegando aos mais eficazes e proibidos. São de grande risco os que o fazem feliz de forma mais rápida, no entanto, de forma transitória; são todos viciosos e escravizantes. Exemplos não faltam e destroem corpo e mente em pouco tempo. E mesmo no resgate deste infortúnio, você nunca mais será a mesma pessoa e seu projeto de vida lá para a frente poderá ficar comprometido.
Também, subitamente, em meio a sua biologia incandescente, você se verá diante do sexo e seus envolvimentos, que são muitos. Desde os platônicos, as auto-carícias, o medo do rechaço, o rechaço, a frustração, o bem suceder, a sensação de amor para sempre, o primeiro beijo, a primeira transa, tudo com muita intensidade. Mesmo assim, não tenha medo, vá em frente com os devidos cuidados e, principalmente, apaixono-se. Nesse particular, suas primeiras vezes estarão muito longe de serem as melhores, mas, acredite, além de parecerem ser muito boas, até mesmo excepcionais, elas serão, sim, inesquecíveis. Faça pequenas loucuras e siga caminhos desconhecidos, mas dos quais, entretanto, possa retornar apenas com discretos arranhões. A um coração adolescente é imperioso sucumbir a uma paixão, mesmo de longe.
Leia muito, romances, poesias, textos técnicos, prosas e versos. Primeiro dos autores do seu tempo, depois, ao natural, sua leitura se tornará mais sofisticada. Passe então a ler os clássicos, aqueles que alicerçaram no passado o seu tempo de hoje. Leia a história do homem sobre a terra, sobre a evolução da vida, das espécies, das tribos. Leia sobre quanto tempo e o quê se passou durante os milênios das andanças do homem sobre a terra para que você chegasse até ali, onde se encontra agora.
Medite e pergunte-se! Tudo o que você quer saber está escrito em algum lugar ou à disposição da sua busca. Duvide, ocasionalmente! De todas as suas dúvidas nascerão luzes; forme conceitos baseados no volume de seus conhecimentos. Tenha idéias e defenda-as. Ache que não é bem assim e sim assado, o tempo lhe dará ou lhe tirará a razão. A cada novo conhecimento adquirido, uma nova porta irá se abrir; e por trás dela uma nova dúvida irá fustiga-lo, indefinidamente. Este é um princípio básico do saber, a dúvida e o ato de decifra-la. Perceba a sutileza de que a sabedoria sempre e de alguma forma lhe trará felicidade. Acredite na ciência e na filosofia como princípios básicos que trouxeram o homem da barbárie e do obscurantismo e que o levarão a Deus. E não pense mais em Deus como um senhor do bem e do mal, escondido e indecifrável entre as nuvens do desconhecimento. Pense-O como uma forma de energia bondosa que habita e baliza o nosso cosmo, incluindo nossos corpos e mentes, uma possível soma temporal da bondade universal, também em crescimento. E que, como energia que é, poderá ser um dia formulado de maneira mais compreensiva e mais igual a nós, em termos.
Faça amigos, muitos deles, os mais variados. Tenha primeiro um amplo círculo de camaradagem e escolha os que lhe são mais afins. Desses, sairão os mais leais, os mais fiéis, os seus “irmãos de sangue” e de fé. Com eles você criará uma rede de afeto singular, que tempo algum durante toda uma vida poderá desfazer, por mais distantes que possam vir a estar e permanecer um dia. Marque bem esse tempo, com fotos, cartas, lembretes, objetos que contenham uma história breve dessa juventude cheia, esplendorosa e fugaz.
Se possível, lidere uma revolução que defenda suas idéias, as mais esdrúxulas que sejam. Se não for bem assim, seja um líder de qualquer coisa, até de promoção de jogo de bolita, de qualquer esporte ou de uma coisa que lhe pareça que valha a pena. Ou então, siga um líder, admire-o, defenda-o, apaixone-se por uma causa que lhe pareça justa, de preferência, socialmente justa. Forme em você um bom caráter! E comece a ter simpatia pela bondade, por ser solidário, voluntário e tolerante, pois colherá bons frutos.
Quando, de repente, você será um adulto jovem! Ai então, você será capaz de enraizar sua vida no que recomenda esse poema ímpar de Rudyard Kipling, em tradução fiel e famosa do poeta Guilherme de Almeida:
Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa;
de crer em ti, quando estão todos duvidando
e para esse, no entanto, achares uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso;
ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares
e não pareceres bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
de sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores

Se, encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires
tratar da mesma forma esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
em armadilhas as verdades que disseste
e as coisas, o r que deste a vida, estraçalhadas;
e refaze-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar em uma única parada
tudo o quanto ganhaste em toda a tua vida...
E perder! E ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, retornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe;
e a persistir, assim, quando, exaustos, contudo,
resta uma vontade em ti que ainda ordena: Persiste!

Se és capaz de entre a plebe não te corromperes
e, entre reis, na perderes a naturalidade,
e de amigos, quer bons quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade;

E se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal, todo o valor e brilho:
Tua é a terra, com tudo o que existe no mundo.
E, o que ainda é muito mais, tu és um homem, meu filho!


E a vida, então, se transformará em um longo caminho, com altos e baixos, por dentro e por fora de sua alma, mas tenha sempre a certeza que se você trabalhou bem seus atos, ele lhe renderão bons frutos, cedo ou tarde. Siga seu caminho! Aliás, como ensinou um dia o poeta Luis Guilherme do Prado Veppo:

Quando te decidires, parte!
Não esperes que a vida cubra de flores o caminho.
Nem sequer esperes o caminho,
faze-o tu mesmo e parte!
Parte sem pensar que outros passos pararam,
que outros olhos ficaram te olhando seguir.




Construa-se

Esperemos que seu pedestal, ou o seu alicerce, até aqui, esteja a prumo e nivelado. Tome por norma, então, o seu trajeto de vida, a sua construção embasada em virtudes simples.
Entenda os sentidos básicos da vida: primeiro, o sentido biológico, que trata da sua permanência aqui na terra. Portanto, para tal, cuide do seu corpo como um todo, tanto física, quanto mentalmente . Ele é o depositário de todas as suas energias, que lhe põe em contato com tudo que o cerca; é o executor de todas as suas vontades, boas ou más. De forma integrada e em nível de perfeição, cada órgão do seu corpo tem uma estrutura correspondente a rege-lo em seu cérebro. Se um deles adoece, ou foi sua mente que assim o quis ou foi seu desleixo que permitiu.
Antecipe-se aos males mais conhecidos:
Cuide da boa forma física através da prática saudável de exercícios regulares. Atente para o que come, evitando exceder-se com os três pós brancos: açúcar, sal e farinha. E tenha simpatia pelos alimentos naturais, bem limpos e cozidos. Cuidado com as gostosas gorduras, existem aqueles que podem e aqueles aos quais é melhor evitar; esteja atento, pois. Bem como, esteja atento às gorduras circulantes no seu sangue, ao diabete, à hipertensão arterial. Esteja atento a qualquer mau funcionamento do seu corpo, desde uma simples gripe até uma pinta escura que não existia há pouco tempo em sua pele. Evite os excessos e esteja alerta a todo e qualquer sinal vermelho no seu painel físico ou mental. E quando tal ocorrer, procure logo um profissional, antecipe-se aos fatos, pois muitas vezes o amanhã já pode ser tarde ou a ocorrência de solução simples pode passar a ser mais dificultosa.
Além da sadia permanência do seu corpo aqui na terra e ainda como um princípio biológico, perpetue-se! Procrie e seu bom sangue será transmitido às gerações futuras, ato fundamental à permanência da humanidade sobre a terra. Isso faz parte de um aperfeiçoamento, desde o tempo do humanóide Astralopitécus, nosso mais atual intermediário desde o mundo irracional. Mas para tal, constitua uma família civil, social ou moralmente sadia, unida, saudável, harmônica e onde possa prosperar a felicidade, para que seus filhos cresçam com segurança e que tenham noções de autoridade, o que é muito importante para a sanidade social e mental de uma criança.
O segundo sentido básico da vida, é filosófico: baseia-se no princípio da luta do bem e do mal, devendo sempre a nossa vida ser pautada pelo primeiro. Não é preciso ser bom observador para notar, diariamente, a constante competição entre essas duas extremidades naturais e intrínsecas da vida. Talvez, seja essa a luta humana mais ferrenha, mais desafiadora, mais nobre e mais enriquecedora do ser humano como um todo.Talvez, a mais primária referência a que o homem se viu frente, como um desafio, seja vencer o mal! E que, é provável, lhe foi destinada com um sentido de marca indelével e registrada em seu cerne, algo do qual não se veria livre. E em cuja disputa entre seus extremos, coloca à prova a sua temperança, o seu caráter e a sua sanidade. Algo tão importante que, segundo vários ensinamentos básicos e atávicos, de várias fontes e correntes filosóficas, por ai acharíamos o caminho da eternidade da alma.
O terceiro sentido básico da vida, é ser feliz. É um sentido psicológico a que nossa mente, quando sadia, tem a obrigação de buscar dentro dos princípios básicos da ética. E esta, é preciso saber onde ela realmente mora, o tamanho que tem suas vibrações, as expectativas que devemos colocar sobre sua busca, um verdadeiro compêndio de filosofia e psicologia. Para não cair em risco ou erro, o melhor é vestir-se das virtudes básicas que nos levam a ela.
Mas, tenha sempre em mente que a felicidade é uma fração muito efêmera de sua vida, uma quimera, um fragmento, como um filho que chega de longe ou a decifração de uma fórmula química. Em geral, ela habita pequenas coisas, esconde-se atrás das vírgulas da vida e mais tem a ver com o detalhe do que com o montante. No resto, entre as vírgulas, deve existir a serenidade e a harmonia, como seu substrato.


E viva bem!

Ter, como ponto de partida para viver bem, a bondade. O quanto se possa, ter mais intenção e ação de dar mais do que receber e assim basear e praticar o convívio com nossos pares. É básico nas relações humanas do dia-a-dia que se aperte a mão dos que lhe são próximos; olhe-os nos olhos, chame-os pelo nome, abrace-os. Beije pai, mãe, irmãos e amigos; celebre seus circunstantes. É infalível que é dando que se recebe, um princípio básico de muitas religiões, seitas e pregações, em milênios de comprovação. Em qualquer atividade da vida, se a bondade estiver em pauta, o retorno será sempre um só, questão de tempo, nessa ou na outra dimensão: o bem. Use suas ações diárias nesse proceder, mas use também sua profissão, qualquer que seja. Geralmente, é a sua profissão o que você melhor sabe fazer; eis ai um veio farto através do qual você pode se doar em atos bondosos. A bondade gera uma cascata de sentimentos e ações positivas que, na forma de ação/reação, lhe respingam uma chuva de afeto.
Através do seu auto-conhecimento, entenda suas angústias e fracassos. Não os de acolhida, pois não somos obrigados a isso. E é doentio permanecer neles; rebele-se! Assim como a alegria da felicidade, o desconforto do insucesso ou da dor, é transitório. Tudo o que é da vida é impermanente e nada é por acaso! Assim, no caso desses infortúnios, eles são o produto de você mesmo, de sua sintonia com pensamentos negativos, de seu desarranjo pessoal, de sua sincronia com as entidades do mal que estão a sua espreita; ou, então, são produto da sua incompetência. Sacuda-se, vigie e ore. Ore muito. O poder benéfico da oração está inclusive comprovado cientificamente; e a oração nada mais é do que o seu pensamento poderoso e transformador, desde que com fé. Tenha humildade, ore e aguarde!
No entanto, em relação à oração, tenha em mente que muitas vezes são necessárias horas, dias e meses, e até anos, de preces para que um pedido seja alcançado. E que, algumas vezes, determinado pleito nunca vai ser atendido e a nossa percepção não entende o porquê. Talvez por que a nossa pretensão “ não esteja escrita nas estrelas”. Quando, de surpresa, um belo dia, algo de bom e inesperado nos “cai no colo”, algo muito melhor e maior que o que pedíamos em nossas orações.... É o que nos era o certo e o predestinado.
Mas, é preciso ter muitos cuidados com a sanidade da mente que comanda seu corpo. Entre as doenças mais comuns, é necessário saber que a depressão, como eventualidade ou como doença estabelecida, uma forma mórbida de afetação mental muito comum e nem sempre reconhecida como tal, é capaz de levar a grandes estragos, inclusive físicos. Por se tratar de uma doença bioquímica do nosso cérebro, o qual fica alterado quando acometido, inclusive com a baixa das defesas individuais e propiciando o aparecimento das mais variadas formas de doenças físicas, das mais simples às mais arrebatadoras, assim como várias formas de câncer.
Além do sentimento de bondade que a mente deve espalhar no seu entorno, é preciso cultivar, também, a tolerância, a compreensão, a paciência, o amor, a caridade, a solidariedade, a serenidade, a harmonia, a paz, a convergência com seus próximos e a empatia, que é sentir o que os demais estão sentindo como forma de melhor agir em seu favor. É preciso competência em muitos níveis da vida, intelectual, profissional, moral e espiritual para viver.
É preciso, além do mais, conhecer-se a si próprio, saber seus limites e seu alcance, saber diferenciar suas emoções e dominá-las; eliminar os maus pensamentos que por ventura assolem-no de surpresa ou cronicamente, como raiva, inveja, ódio, ciúme, arrogância, rancor, tristeza, desconfiança, mal-querência e tantos outros sentimentos negativos que envenenam as mentes e muitas vezes as mantém cativas e destorcidas, sintonizadas com o mal.
Faz bem entender, sobretudo, que cada novo dia é uma oportunidade para que se faça um recomeço; que o passado é “imexível” e que o futuro deve ser de nossa lavra, obrigatoriamente, e que deve ser bem feito!
E que, como fundamento de tudo, desde a nossa concepção, lá no inicio, é preciso agir de modo a que o dia de hoje seja melhor que o dia de ontem e o dia de amanhã seja ser melhor que o dia de hoje. Assim, com esse crescimento, com certeza, nos identificaremos melhor com o Deus que está dentro de nós.

sábado, 16 de agosto de 2008

Vida e morte, todos nós

Biologicamente, em todos os seres vivos, o comportamento dos organismos é o mesmo: geração, nascimento, crescimento com balanço metabólico positivo, vida adulta, declínio com balanço metabólico negativo e morte, sem que haja modificações nesta base. Ou, então, o ciclo: semente, brotação arbusto, flor, fruto e semente, novamente, na terra. Quanto à vida, todos nós a conhecemos, seja pela observação dos outros seres vivos, seja pela observação de nós próprios, à qual, todos damos valor - varíavel, no entanto, na intensidade e na qualidade da aferição.
Mas, e quanto a morte, o que será mesmo esta ocorrência? Pois, igual como nos homens, intrínsicamente, nos animais ela representa o contrário ou a ausência da vida. E, nos seres vivos em geral, evitá-la é um mecanismo instintivo e irracional, sempre emprestando-lhe elevado poder de conservação e preservação, semelhante ao instinto de perpetuação da espécie. Assim, além das atitudes biológicas de manutenção da vida (como a busca do alimento e o abrigar-se do frio e da intempérie), nos animais, como diante dos predadores, surge o medo, o qual, com suas reações consequentes, faz parte de uma defesa contra a eliminação da vida. No homem, poderiamos exagerar dizendo que qualquer medo, analíticamente, é uma grandeza do medo da morte. Algo simples, mas ao mesmo tempo complicado se formos considerar a pergunta de: como tal ameaça chegou ao conhecimento do animal que tem medo? Um pouco chegou-lhe pela carga genética, mas a maior parte, a sua porção consciente, chegou através do aprendizado materno ou paterno, ou ambos. E todos nós já observamos o espanto de um pássaro ou outro animalzinho diante de várias circunstâncias desconhecidas e ameaçadoras - inclusive diante de nós -, bem como já observamos a mesma reação de medo que o homem tem diante de outros animais maiores e até menores, como o medo de rato ou barata - cuja explicação requer outro capítulo.
No homem, por ser um racional que ascendeu do irracional, existem duas formas básicas de encarar a morte: a forma irracional, como nos animais, e a forma que lhe foi concedida pela existência da mente e do conhecimento. Neste, a evolução da morte é conscientizada dentro do intelecto das pessoas, do mesmo modo como ela evolui dentro das várias culturas. Assim, observando-se o tratamento que a morte recebe dentro das culturas - e gerações da humanidade -, desde as mais próximas às mais remotas, em todas elas existem fatores em comum, como o sentimento de pesar inicial e a crença de que, através da alma, aquele ser passou a um estado superior de conservação perene, quase sempre num lugar em direção ao firmamento. E é assim, tanto nas culturas de povos mais ilustrados, bem como naqueles mais rudes.
Mas, além deste comportamento reacional e instintivo à morte, ela possui, amplamente e também, uma feição aprendida. Assim, filhotes de animais e filhos do homem, a partir de uma certa maturação cerebral compatível, iniciam a adquirir conhecimentos vindos do ambiente familiar e social, relativos à morte e através disto vai dando-lhe feições. E, é na idade da razão, no pleno desenvolvimento das faculdades mentais, em associação com a racionalidade e a maturação do intelecto, que a morte atinge a mais bem contornada forma para o ser humano, incluindo as muitas reações que a acompanham, normalmente, incluindo medo ou respeito a ela, que ocorrem melhor organizadas nesta idade. Incluindo aqui, a sua percepção ameaçadora por sua existência, muitas vezes, estar ligada à violência e à tragédia. E isto, assim desta forma, escapa ao conhecimento da infância, assim como, esta aceitação modifica-se, de forma sui generis, na velhice. No velho, parece que a idéia da morte venceu as barreiras impostas pelo medo, não ocorrem mais racionalizações que a amenizem e ela passa a ter contornos tranqüilos de uma realidade pacífica. E dela falam com naturalidade.
O ser humano adulto, em estado mentalmente sadio, convive, em seu nível subconsciente e em estado normal, quase sem dor ou ansiedade com a possibilidade da morte, aliás, só padece mais por seu desconhecimento que por qualquer outra causa, entendendo-a e aceitando-a como uma situação definitiva e certa, numa relação passiva com o inevitável, mas evita falar dela, talvez para não precisar, ainda, enfrentá-la. Criando para ela ou em relação a ela formas explicativas e modificadas que a amenizem. Onde se cria, inclusive, a grande aceitação da idéia de vida após a morte e suas muitas formas com caracteres de resgate e recompensa. Bem como, assim é, com a explicação da existência dos espíritos ou das almas.
Entretanto, a morte, em muitas ocasiões, psicologicamente, pode acontecer também em vida, em situações em que a mente se torna doente, tal como na depressão transitória, por exemplo, nas perdas afetivas, ou na depressão mórbida ou maior, ou mesmo no luto e em outras muitas deformações, em que a morte é sentida, no corpo e na mente, como se fosse em vida.