terça-feira, 22 de abril de 2008

O Nascimento do deuses II

Supostamente, sendo uma forma de energia, Deus e os deuses de cada concepção vivem e se manifestam pela ação que exercem nos corpos ou nas circunstancias sobre as quais agem. Mas, como será mesmo que nascem esses seres divinos, ou a maioria deles?
Para se chegar a esse entendimento é preciso compreender que a mente humana, desde que o homem a tem num cérebro íntegro e funcionalmente equilibrado, é regida por uma série de funções, entre as quais a do conhecimento e da capacidade de abstração. As quais muito se envolvem nesta formação que, resultante em sensações, movimentam emoções as mais variadas. Essas sensações, normalmente, são, ou muito fáceis de lidar ou, com freqüência, muito difíceis de serem elaboradas e convividas. Em princípio e de forma sucinta, desta dependência e associada a uma infinidade de fatores culturais e ambientais, nascem os deuses. Ou seja, as figuras divinas nascem na intimidade de nossas mentes, são produtos de sua fisiologia e, dependendo do tipo de deus, até de sua fisiopatologia; disseminando-se depois na coletividade. Todos os exemplos são encontrados nas mitologias.
Assim, para se adaptar e conviver com essas sensações e, mesmo, para buscar uma resposta para a nascente delas, o homem engendra um mundo fantástico, que se projeta e que lhe dê explicações de acordo com a sua percepção desses próprios fatos, aqueles mesmos que lhe envolvem através do ambiente e os que surgem dentro do seu íntimo. Medos, necessidades, curiosidades, sentimentos estranhos, fenômenos da natureza e toda uma abstração fenomenal que carregue em seu íntimo uma dúvida ou controvérsia, a qual cerca e ao mesmo tempo germina na mente; tudo acaba gerando uma necessidade de resposta a ser encontrada. E, de forma mais satisfatória, dentro da própria mente. Ainda que projetada, mais freqüentemente, fora dela, seja no ambiente que o cerca ou morando nos mais variados seres e em lugares convencionados, habitualmente, situados num lugar chamado céu. Este, escolhido que foi por ser distante e até então inatingível. Assim é o mecanismo escolhido pelo psiquismo para tratar desta necessidade que aflora, a da divindade, porque, na realidade, ele não vive sem ela e sem as respostas que suscita: não vive sem segurança, precisa de respostas coerentes e possui uma ética que necessita de um ícone que a sintetize. E como no fundo o cérebro sabe o quão fantástica são as soluções encontradas para os fatos que evoluíram ao longo dos milênios e que geram este tipo de solução divina, então, o inatingível céu é o melhor lugar para a morada das respostas e explicações. Ou seja, o céu é a morada das divindades ou de outras soluções de semelhante significado.
Associada a tudo, a mística inconsistente, que para uns é mais abundante e para outros menos e que é a explicação individual e coletiva da existência universal e do convívio com o desconhecido, a mística tem uma participação fisiológica e geradora na mecânica da mente e o é, também, da engenharia cerebral da própria mística que, resumidamente, faz florescer os deuses.
Sem desprezar a cultura hindu, muito antiga e essencialmente politeísta, mas foi na cultura grega antiga, provavelmente, onde nasceram os deuses semelhantes da cultura ocidental e por isso melhor compreendidos. Frutos da necessidade de explicar a existência, o ambiente, os acontecimentos, os fenômenos e os mistérios da mente humana. E, na mente coletiva desta cultura, para cada fato ou circunstância foi criado um deus: Mercúrio, Apolo, Diana, Dionisio, são alguns exemplos de cultura grega politeísta. Sendo que o chefe de todos, Zeus, morava no sol, que na concepção daquele tempo, era o ponto mais alto do firmamento.
Considerando-se que a existência desses deuses na sociedade grega servia como mecanismo de equilíbrio no funcionamento social e cultural, um mecanismo estabilizador, porque a mente coletiva era protegida por respostas encontradas nas divindades geradas ali dentro mesmo e incorporadas ao comportamento coletivo.
Já na cultura romana, esses mesmos deuses tinham outros nomes, mas quase todos nascidos das mesmas necessidades da coletividade.
E, além da necessidade de explicação para a existência universal em si, outras causas entram com muita consistência na geração mental dos deuses, como a carência de proteção, a necessidade e a certeza do perdão, a natural parceria na luta do bem contra o mal, inerente do ser humano, bem como a necessidade, não só de um mediador, como também de uma premiação representada pelo deus, a repartição ou o consolo da aflição e, por fim, a garantia da eternidade com todas as suas compensações, representada pela promessa projetada em quase todos eles.
Mecanismos semelhantes, nascidos na bondade e no amor ao longo da história da humanidade, criaram as fadas, os magos e os anjos. E o sentimento inverso criou os demônios, os gênios do mal e as bruxas.