terça-feira, 22 de abril de 2008

Deus anda por aí!

Um texto, depois de escrito e publicado, deve ser guardado por passar a ter um significado paradigmático, do qual o autor possa lançar mão, um dia, para rever a sua linha de pensamento sobre o assunto ou mesmo para corrigi-lo, melhorá-lo ou até mesmo, renegá-lo por ultrapassado. Já que tudo se movimenta e por que até mesmo as verdades arraigadas são dinâmicas epor tal, mutáveis.
Há um bom tempo atrás, escrevi um artigo que se chamou "O arquétipo", uma longa apreciação da figura de Deus no seu significado para a humanidade e para a natureza. Desenvolvi naquela data um raciocínio comprido e metafísico, que poderia se localizar entre a hipótese e a tese, sobre a possibilidade da existência de Deus estar ligada à alguma forma de energia, já que, como ela, Ele também se manifesta nas coisas em que esteve e está presente e das quais fez e faz parte, no caso, na humanidade, na natureza e no universo. E aí, argumentava eu naquele raciocínio e hoje revisando-o, me confirmo, constato que as mais variadas formas de energia estão sempre presentes em todas as obras. Energia mental, sonora, muscular, calórica, hidrodinâmica, elétrica são apenas algumas das formas de que faz uso o nosso e outros organismos, para funcionar. A energia luminosa, sonora, eólica, hidroelétrica, térmica, magnética, atômica, cinética, são também algumas de suas formas que regem a marcha da natureza. E todas elas só existem nos corpos onde agem. A luz, por exemplo, não existe no vácuo, tudo porque nele não existem elementos onde ela possa se multiplicar, tornando-se escuridão. A energia cinética, da mesma forma, só existe se houver um objeto a ser movimentado e assim por diante. E energia, como Deus, não se vê, mas se acumula, se armazena, se guarda, se aplica, conta-se com ela, tem múltiplos usos, conhece-se seus efeitos e constata-se em suas inumeráveis e infinitas aplicações.
Nas suas aparições, descritas na Bíblia, e mais freqüentes em uma determinada fase de sua história, quase sempre associada ao povo de Israel, Deus nunca mostrou sua cara. E aquela figura que o relaciona a um senhor barbudo, visto de forma semi-oculta por entre as nuvens, nada mais é do que uma interpretação fantástica de Michelangelo. Na realidade, naqueles tempos em que se manifestava mais objetivamente, Deus aparecia sob forma de centelha, que seguia diante de seu povo, manifestava-se sob forma de trovão, de vento, de raio, ou seja, sob formas de energia, não é mesmo? Depois desse tempo, Deus sumiu do mundo em suas aparições mais concretas, mas terá deixado de existir? Ou ficou em todas as coisas sob a forma preconizada há pouco?
As catequeses, de um modo geral, são pródigas em dizer que Deus habita dentro de nós, tudo numa maneira de dizer que Ele opera através de nós(o que quer dizer, com o mesmo princípio que operam as energias nos corpos em que se manifestam). E esta é uma forma que aceita-se mais pela fé. Mas, na verdade, é nossa intenção que, além da fé, Ele seja entendido(ao menos no nosso ponto de vista) como uma forma mais inteligível e através de um princípio que poderia se chamar de "teofísico". E, talvez , um dia o será!
Reforçando esta tese, o Papa João Paulo II, falando sobre a beleza da arte, disse que certas manifestações sublimes da arte dos homens, como a pintura, a literatura, a filosofia e a música, refletem o espírito de Deus. E nestas, como em outras formas de manifestação, o homem usa alguma tipo de energia criativa para a sua construção.